Trovadorismo

trovadorismo

               Trovadorismo

Na Provença, o poeta era chamado de troubadour, cujo forma correspondente em Português é trovador, da qual deriva trovadorismo, trovadoresco, trovadorescamente. No norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère, cujo radical é idêntico ao anterior: trouver (ahcar). O trovadorismo é conhecido como o primeiro movimento da literatura portuguesa na era medieval, os trovadores eram responsáveis para encontrar as músicas e adequá-las aos versos dos poemas, os poemas deviam ser capazes de compor, achar os versos e o som (melodia), isto é, a sua canção, cantiga ou cantar, e o poema assim se denominava por implicar o canto e o acompanhamento musical.

A poesia trovadoresca apresentava duas espécies principais: a lírico-amorosa e a satírica. A primeira divide-se em cantiga de amor onde a mulher se encontra em um plano superior, a mulher palaciana no qual o homem (eu-lírico = masculino) produzia suas canções de amor; e a cantiga de amigo onde o eu-lírico é feminino, tendo uma mulher cantando a saudade do seu amado, tendo um ambiente voltado para a natureza; a segunda, é a cantiga de escárnio, onde temos uma sátira indireta, no qual a pessoa atacada não é identificada por conta da ambiguidade e sutileza; e a cantiga de maldizer, apresenta uma sátira direta, onde o trovador pode usar palavras de baixo calão, podemos até identificar a pessoa que está sendo atacada. O idioma empregado era o galego-português, em virtude da então unidade linguística entre Portugal e Galiza.

                         Cantiga de amigo

Levad’, amigo, que dormides as manhaas frias;

todalas aves do mundo d’amor dizian:

leda m’ and’ eu!

 

                     Tradução

Levantei, amigo, que dorme nas manhas frias;

todas as aves do mundo de amor diziam:

contente, eu mandei!

 

       Levad’, amigo, que dormide’ – las frias manhas;

todolas aves do mundo d’amor cantavan:

leda m’ and’ eu!

 

       Levantei, amigo, que dorme pelas frias manhas;

todas as aves do mundo de amor cantavam:

contente, eu mandei!

 

       Todalas aves do mundo d’amor dizian:

do meu amor e dos voss’en ment’ avian:

leda m’ and’ eu!

 

       Todas as aves do mundo diziam;

do meu amor e de vos referiam-se:

contente, eu mandei!

 

       Todalas aves do mundo d’amor cantavan;

do meu amor e do voss’ i enmentavan;

leda m’ and’ eu!

 

       Todas as aves do mundo de amor cantavam;

do meu amor e do vos equivalente

contente, eu mandei!

 

       Do meu amor e do voss’en ment’ avian;

voss lhi tolhestes os ramos en que siian;

leda m’ and’ eu !

 

       Do meu amor e do vos traziam na mente;

vos  lhe tolhestes os ramos por isso pousavam:

contente, eu mandei!

 

       Do meu amor e do voss’ i enmentavan;

vos lhi tolhestes os ramos en que pousavam:

leda m’and’ eu!

 

       Do meu amor e do vos do cantos equivalente;

vos lhe tolhestes os ramos por isso que pousavam:

contente, eu mandei!

 

       Vos lhi tolhestes os ramos en que siian

e lhi secastes as fontes en que bevian:

leda m’ and’ eu!

 

       Vos lhe tolhestes os ramos por isso que pousavam;

e lhe secastes as fontes nisso que bem viam:

contente, eu mandei!

 

       Vos lhi tolhestes os ramos en que pousavam

e lhi secastes as fontes u se banhavan:

leda m’ and’ eu!

 

       Vos lhe tolhestes os ramos por isso que pousavam;

e lhe secastes as fontes ou se banhavam:

contente, eu mandei!

 

               Analise da cantiga

Apesar da atmosfera, não se trata de um alba, visto que lhe faltam, os ingredientes próprios, como a recorrência do vocábulo “alba” no estribilho e sentinela, que acordava os amantes, avisando-os de qualquer perigo, sobretudo a presença do marido ciumento. A cantiga encerra o monologo da moca ao amanhecer, desperta pelo canto da passarada: ao mesmo tempo que sua alegria de amar parece comunicar-se e a comungar com ela dá festiva revoada que a cobre e a encanta. Ausentes as notações eróticas e cantiga “versa sobre um tema tradicional, popular ainda no presente século na Galiza e em algumas vilas constitui “das coisas mais prodigiosas do nosso antigo lirismo. O contentamento da moça afigura-se resultar mais da lembrança do efeito vivido, e porventura acabado, que dá continuidade da relação amorosa no dia novo que desponta. Assim, o secar das fontes e o tolher dos ramos insinuam o termino do sentimento entre o par de namorados, embora o estribilho, superlativando a persistência da alegria da jovem, acentue a impressão de que o amor permanecerá apesar de o bem-amado haver cortado os ramos e secado as fontes. A aliciante atmosfera lírica e de flagrância sentimental origina-se precisamente do simbolismo polivalente que emoldura o monologo da apaixonada após uma noite de amor.

 

Fonte de pesquisa

A Literatura Portuguesa Através dos Textos

Massaud Moisés

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